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Seja resiliente!

 Há tempos venho acompanhando vários casos de pessoas resilientes, mas o que me chamou a atenção é que poucas utilizam este processo para se reinventarem e enfrentarem as suas necessidades e dificuldades, sem antes acontecer algo que a faça repensar sua atitude e comportamentos. Muitos agem de forma passiva na resolução de seus problemas, ou seja, esperam as coisas acontecerem para depois tomarem atitudes.

Na área da psicopatologia, resiliência é:

Padrões de respostas frente a estressores associados a doenças, dificuldades socioeconômicas, psicopatologias parentais e rupturas na unidade familiar em crianças, algumas delas  sucumbindo  a  tais  experiências,  enquanto que outras escapavam ilesas ou se tornavam mais fortes.

O conceito geral de resiliência como um padrão de funcionamento adaptativo no contexto de risco ou adversidade há duas condições básicas: 1. a exposição a um risco significativo; e 2. a evidência de adaptação positiva às  ameaças  ao  desenvolvimento.  A adaptação positiva pressupõe bom desenvolvimento apesar dos riscos; competência para lidar com o estresse, incluindo a capacidade de minimizar os efeitos do evento estressante; capacidade de recuperação rápida após o trauma; e, em longo prazo, contenção de respostas negativas e capacidade de prover consequências positivas a comportamentos que impliquem em superação da adversidade. (NERI; FONTES, 2015, p. 1477)

Pense bem! Não é preciso acontecer um acidente trágico, uma separação, uma discussão ou ser despedido de uma empresa para poder usar seu lado criativo, ser racional e mudar sua mentalidade para promover mudanças internas e externas na sua vida.

             “mudar é a oportunidade de ser o melhor” (CARMELLO, 2008)

A ideia de resiliência é a possibilidade de retomar a vida após uma agonia psíquica traumática ou em condições adversas. De acordo com Cyrulnik e Cabral (2015) uma vez acontecido o trauma não é possível voltar ao suposto estado de desenvolvimento anterior ao trauma,  [...] ou a pessoa passa a viver uma vida gastando boa parte de sua energia para se proteger das invasões e agressões do mundo, [...] ou então, encontra condições, oferecidas pela forma como seu traumatismo é tratado pelo ambiente, de realizar um processo de resiliência, de retomar suas possibilidades de investimento no cotidiano e de criação de novas oportunidades de viver. [...] Essa retomada permite que o indivíduo liberte-se do sofrimento, do isolamento e o traga de volta ao circuito relacional.

A exemplo dessas situações de pessoas que passam por traumas e conseguem retomar suas possibilidades, de criar novas oportunidades de se viver são os atletas da paraolimpíadas, pessoas vítimas de desastres ambientais, tais como: terremotos, maremotos, enchentes, ou até mesmo, acidentes automotores.

Para você que acompanha programas esportivos e vários outros noticiários, há sempre exemplos de pessoas comuns que por um determinado motivo, reenxergou a vida de forma que a fez sentir melhor e mais determinada a conseguir seus objetivos.

E, é isso que eu quero lhe mostrar, não espere o inesperado para que mude de atitude e de comportamento. Sei também o quanto é difícil tomarmos decisões de mudanças, principalmente, quando essas mudanças são em nós e que envolvem muita emoção e valor sentimental.

Mas tenha consciência de que o cenário a que nos encontramos é de incertezas e turbulências, e nesse cenário, somos pegos, em sua maioria, de surpresas desagradáveis, seja com demissão, seja com um número menor de clientes na empresa ou no seu negócio e, com isso, automaticamente teremos que fazer ajustes tanto na vida profissional quanto na pessoal, ou seja, reduzir gastos como: tirar filhos da escola particular, vender o carro e comprar um popular, diminuir as saídas com a família e por aí vai.

Saiba que independente da vontade de cada um, as pessoas têm que enfrentar seus próprios desafios, suas mudanças e buscar meios para que sobreviva a esta e outras turbulências.

“A resiliência não elimina o risco da mudança, mas encoraja líderes e colaboradores a se engajarem efetivamente na situação” (CARMELLO, 2008).

Portanto, precisamos aguçar mais nosso processo perceptivo para termos uma noção sistêmica do que está acontecendo a nossa volta.  Para Bowditch e Buono (1992) “percepção refere-se ao modo como interpretamos as mensagens de nossos órgãos dos sentidos para dar alguma ordem e significado ao nosso meio ambiente.” A definição para Macêdo (2007) é o “processo pelo qual as pessoas tomam conhecimento de si, dos outros e do mundo à sua volta”. Esse método de reorganizar os dados e construir novas informações por meio da percepção facilita nosso processo mental e nos ajuda no autodesenvolvimento, na autopercepção, no autogerenciamento e autodirecionamento, estes estímulos você consegue treinando e praticando.

Não seja mais um espectador de sua vida, se tem alguma habilidade ou algum hobby, transforme-o em oportunidade e começa ainda hoje a montar um plano, mas tenha ciência de que no início nada é fácil, no entanto, tudo que é feito com amor e força de vontade prospera. Não deixe acontecer o pior para que as mudanças em sua vida sejam feitas. Seja resiliente!

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